quinta-feira, 15 de julho de 2010

Café, Capuccino, Chocolate quente 2



- Café Santa Clara Orgânico do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura. Um lugar que visitei a exaustão: bonito e agradável, mas um pouco impessoal para mim hoje, talvez por causa da alta frequência de turistas e poucos fortalezenses. Faz bastante tempo que não vou.

- Grão de Café, na Dom Luís, já fechado, era pequeno e harmonioso, tive alguns bons momentos lá, mas a frequência era pequena e o fechamento parecia inevitável. Uma pena.

-Café Montmartre na Rua Prof. Dias da Rocha com Dom Luís ou quiosque do Shopping Aldeota. Apesar de sempre cheio e um tanto barulhento, tem bom serviço. O capuccino grosso é famoso, mas eu o prefiro mais fino. O carro chefe, porém, é o sanduíche Le Special, sem dúvida delicioso e eleito pela VEJA como o melhor por anos consecutivos. O cachorro quente também é irresistível. A ótima localização favorece a frequência.

- Café Castangno, na Avenida Abolição próximo ao Ideal Clube. Ambiente agradável e bom para conversar. Cardápio variado e atendimento discreto. Um dos poucos, junto com Montmartre, fora de shopping Center.

- Café Spazio, na Virgílio Távora com Abolição. Estou devendo uma visita. Por fora parece bastante aconchegante. Depois de visitá-lo comentarei aqui.

- Café do Ponto, Iguatemi. Ótimas mesas e cafés com aromas variados.Tem bom atendimento. É bastante exposto pois fica no mall do shopping, mas mesmo assim vale um cafezinho lá. Quem está em dia com o peso o café vienense e café brigadeiro são deliciosos e valem a pena.

- Café da Livraria Saraiva. Ambiente favorecido por ser dentro da megastore, o que lhe confere um charme a mais. Seu ponto fraco é ser pequeno, o que gera grande competição por mesas entre os clientes. Tem a vantagem de ter WI-FI liberado pelo Ferreiro Café. Ótimo pro bate papo, bom cardápio e excelente atendimento. As meninas, do caixa ao serviço nas mesas, são uma simpatia e nos chamam pelo nome.

- Ferreiro Café, Iguatemi. Apesar de ter o nome “café” não tem características de Café, mas de restaurante. Pra não perder a viagem, digo que tem ótimos pratos (destaque para o filé alto com champignon) e tem um excelente ambiente.

- Café Santa Clara, Shopping Del Paseo. Originalmente, ficava no mezanino da livraria Nobel. Esta fechou e abriu a Siciliano com o Café no mesmo lugar. Lugar agradável, porém sem mais o mesmo charme e a novidade de antes, mas ideal para um papo rápido depois do almoço. Tem a vantagem, se tiver sozinho, de folhear alguns livros de culinária no mesmo andar, os livros são bonitos e tem ótimas dicas. Sugiro o último de Jamie Oliver na Itália, é de dar água na boca! Dá vontade de comer lendo!

- Indalo Café, quiosque do Del Paseo. Bom cardápio, bom café, destaque para a coxinha de caranguejo e a torta de limão, mas tem atendimento ruim, apesar do grande número de atendentes. Falta simpatia e bom humor às atendentes, que não favorecem clientes fidelizados e chegam a ser grosseiras. Outro dia pedi um guardanapo e a moça tirou um do porta-guardanapo e me deu. Disse-lhe que ela devia me dar o porta-guardanapo para eu tirar com minhas próprias mãos e quantos eu quisesse, já que um era pouco e eu estava acompanhado. Ela respondeu, indignada, que suas mãos estavam mais limpas do que as minhas. Tenho 10% de desconto no Indalo, mas não me sirvo mais lá. Prefiro pagar mais caro no Café ao lado, o Navona.

- Café Navona, Del Paseo. Não tem cardápio tão variado quanto o Indalo, mas tem bom café e o sorriso sempre cativante da Joyce, sua melhor atendente. À noite tem sopas de cair o queixo.

- Café Copenhague, Del Paseo. Espaço bom, boas poltronas, ótimo café, atendimento ok, mas é caro. Qualquer coisa, mesmo a água. Só não cobra pra sentar porque as cadeiras e mesas são do shopping.

- Destino Express, Iguatemi. Espero que tenha vida longa, pois fico triste quando fecha um café, é como se memórias fossem enterradas. Mas, para mim, não vingou. O fato de não ser atendido na mesa foi uma falha imperdoável. Pagar no caixa tudo bem, mas ter de deixar a companhia na mesa sozinha para fazer o pedido não funciona, soa antipático. Voltei apenas mais uma vez e dei por encerrada minha participação. Nada pessoal, mas prefiro o Café da Saraiva como primeira opção e o Café do Ponto como Plano B.

- Café da Livraria Cultura, Avenida Virgílio Távora com Dom Luís, em cima do MBar. Ótimo café, mesinhas com abajur, cardápio variado e um chocolate quente de viciar! O fato de ser dentro da Livraria Cultura dispensa comentários. Tenho ido constantemente.

Quanto ao atendimento geral, Fortaleza melhorou muito em seus cafés. Vê-se, em alguns casos, que falta apenas treinamento. Muitos empregadores contratam pessoas sem treinamento adequado de como atender aos clientes. Vale salientar que Paris é conhecida por ter os piores garçons do mundo. Inclusive existe reconhecimento dessa falha em organizações ligadas a setores de turismo. A má fama dos garçons franceses, acusados de grosseiros, indiferentes, desinteressados e pouco corteses, nada tem a ver com o atendimento nos Cafés de Fortaleza. Quero me abstrair dos bares, que é outra abordagem, mas Fortaleza está melhorando no atendimento. Muito já foi feito, mas é preciso continuar treinando esses profissionais para cativar os clientes. Pois mais do que bons cafés e deliciosas iguarias, queremos ser bem atendidos sim, e com sorrisos. E não é só porque estamos pagando, pois o cliente também tem de ser educado com quem lhe atende. Sempre. Assim todos ficam felizes.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Musicofobia



Acordei na última sexta-feira bastante animado. Estava contente, pois havia dormido relativamente bem durante a noite. Me sentia tranquilo. Tudo começava a transcorrer bem. Minha cirurgia estava marcada, os exames deram excelente e, da noite para o dia, ganhei uma enfermeira luxuosa que me dará todo apoio no pós-operatório, 24 horas por dia, durante os quinze dias de licença médica! Eu não merecia tanto, mas graça é favor imerecido mesmo. A paz sentimental também voltou. Após um período turbulento em que feridas foram abertas sem necessidade, senti que meu coração voltava ao que era antes e que, logo, estaria pronto a amar novamente.

Me sentia feliz. O dia no trabalho foi agradável e à noite fui bater meu ponto na Zug para encontrar os amigos. De lá, decidi fazer uma visita ao Mucuripe, um lugar que não pisava fazia dois anos. Pré-combinei com uma amiga e fiquei com ela e sua turma lá. Eu estava muito bem disposto aquele dia para ir somente para casa. Queria ver gente, ouvir música, dançar e celebrar a alegria de estar vivo e com saúde!

Entramos na Alfândega. Mr. Babão tocava Axé-music antigo, aquelas músicas bem do início do movimento baiano. Pintou uma nostalgia dos carnavais que passei com bons amigos em Aracati cinco anos seguidos. A boate estava ótima: gente bonita, alegre, ambiente iluminado, arejado. Gostei dali. Mas a turma que me fiz acompanhar era feita de peixinhos fora d’água naquele aquário colorido. Me puxaram para outra boate, lá era onde as coisas aconteciam, compreendi.

Atravessamos o corredor e uma porta se abriu. A boate estava lotada. Escuridão total rabiscada por luzes metálicas que desenhavam o ar. A música que tocava... Bem, não era uma música propriamente dita, era um baticum violento e repetitivo. De repente, uma voz tonitruante encheu o recinto: WELCOME TO HELL!... Não, não houve essa voz, mas se tivesse havido não tenho dúvidas que teria causado um urro de comoção na galera.

Ali, ninguém se vê. Fiquei dançando sem compromisso com minha amiga enquanto observava as sombras que se movimentavam ao redor. De repente, uma luz azul acendeu e gravou a pista na minha mente. Abri os braços: Horizonte!,suspirei.

O estilo de música é controverso. Algumas delas na linha tecno-dance, como Children, This Time, Stereo Love, Underneath são realmente ótimas, mas no geral o que rola mesmo é a repetição massacrante de algumas notas que fariam um torturador chinês lacrimejar de emoção pensando como faria sua vítima infeliz com aquela nova arma!

Estilo musical tem a ver com o tempo, as gerações e as novas tecnologias. Hoje ninguém dança mais música lenta nas boates. Isso é totalmente fora de moda e sem mais espaço em lugar algum do mundo das pistas. Aquele romantismo de chamar uma garota pra dançar foi substituído pelo olhar insinuante, a chegada nem tão de mansinho assim e, se não tiver muito o que dizer e os olhares dos dois estiverem de acordo, o beijo descompromissado (e a música truando!). Talvez fiquem juntos a noite inteira, talvez não.

E aqui vai um monte de questionamentos para você mesmo responder: Será que as músicas falam algo de sua época?

Se falarem, esse bate-estaca das raves, aquele zunido lisérgico das boates, o lazer meteórico das pistas e o arranjo sideral dessas músicas descreveriam um tempo frio e insensível?

Seria essa música uma motivação dos sentidos, mas sem passar pelo coração?

Daria para amar essas músicas de verdade, como gerações amaram e ainda amam os Beatles, Sinatra, Duran Duran, Michael Jackson, Keane e outras bandas e cantores que marcaram e estão marcando a história, ou são apenas músicas puramente descartáveis, salvo algumas exceções?

Uma música sem melodia apenas com decibéis killers- tímpanos pode ser gravada na memória de uma forma afetiva?

Como iniciar um romance verdadeiro ao som de uma pistola de raio lazer zumbindo no ouvido?

Ouvi dizer que há casos de epilepsias que podem ser despertados em ambientes claustrofóbicos como aqueles devido ao som estridente e ao estresse da luz estroboscópica.

Acho que fiquei uma hora na Burn. Embora não quisesse me afastar da minha amiga, senti um grande alívio ao sair dali. Fui ao banheiro. Na volta, fiz um rápido pit stop de volta na Alfândega. Que diferença! E, confesso, nunca fui fã de música baiana, mas a noite estava especial e ali, naquela pista iluminada, contrastando com a escuridão da outra boate, me pareceu o paraíso. Até as músicas baianas me pareceram pura poesia. Vê-se o que um purgatório não faz com a gente!

Mas minha amiga continuava lá e eu voltei. Perdi-a de vista, infelizmente. Me despedi por SMS e fui embora. Saí de lá às 3 da manhã. Levantei a viseira do capacete e deixei o vento frio da chuva refrescar meu rosto. Agradeci a Deus por aquele dia tão bom, e também pelo prazer de estar voltando para casa de moto com o barulhinho bom do motor atrás. Gostei do Mucuripe, daqui a dois anos eu volto de novo.

quinta-feira, 8 de julho de 2010

A arte de andar de moto em Fortaleza – DICAS


1 - Ande pelo corredor dos carros em velocidade baixa e de primeira marcha. Devagar e com a moto presa ao chão, pode-se antecipar a uma porta aberta ou um braço para fora de repente. (Há rumores que o Congresso tenciona criar uma lei para proibir os motoqueiros de andar pelo corredor. Uma lei que jamais pegará. Jamais será cumprida. E pior: aumentaria o engarrafamento no trânsito. Imagine em São Paulo as milhares de motos atrás dos carros seguindo em linha indiana? Esse engarrafamento não teria fim!)

2 - Andar do lado direito dos carros perto do acostamento é muito perigoso. Não adianta dizer aqui para não fazer, todo motoqueiro faz. Então a dica é a mesma do corredor: ande devagar com atenção dobrada e de olho no pisca-pisca dos carros. Mas lembre-se: os abílios-diniz-antes-do-sequestro, pelo menos em Fortaleza, não ligam em dar satisfação de sua vida ao dobrar uma rua, então não se confie na seta!

3 - Buzine sempre ao andar em preferenciais, os carros que vêm pelas ruas adjacentes podem ignorar o PARE.

4 - Buzine. Sim, sempre que se sentir ameaçado ou inseguro, BUZINE! Esqueça esse negócio que é falta de educação buzinar. Tratando-se de moto, uma buzina coerente pode salvar sua vida. Eu já me livrei de muitas situações de risco pelo simples ato de buzinar. E até os motoristas agradecem, pode ter certeza.

5 - Cuidado ao andar na janela. Se fizer isso, ao contrário do corredor, faça rápido e volte logo para sua mão. Um desvio de volante de um motorista desatento pode derrubar você.

6 - Nem sempre andar devagar é seguro. Acelere forte em determinados momentos, quanto mais longe ficar dos carros e, principalmente dos ônibus, melhor.

7 - Falando em ônibus, não entre em corredor que tenha ônibus. Só o faça se o sinal tiver acabado de fechar. Se você estiver passando e ele começar a andar, você se verá em apuros. Os motoristas de ônibus não têm cuidado com motos. Se o coletivo se mover enquanto você tiver passando no corredor e desviar um pouco, pode imprensar você. Fuja desse corredor da morte!

8 - Há momentos que é melhor andar como carro e perder mais tempo no trânsito. Seja sábio para saber em que momento tomar essa decisão. Em algumas situações é melhor perder tempo do que se apressar e quebrar a cara!

9 - Procure parar sempre na frente dos carros e antes da faixa no sinal. Ao abrir, você terá uma rua livre à frente e deve sair rápido para se distanciar dos carros com segurança.

10 - Quando for ultrapassar a noite procure dar todos os sinais possíveis para ser visto pelo motorista: buzina e luz alta rápida no retrovisor pode avisá-lo que você está passando. Uma acelerada forte no motor também ajuda a despertá-lo.

11 - Sempre que estacionar trave a moto. Uma moto destravada pode ser levada por vários quarteirões empurrada por um ladrão. Tranca nela!

12 - Não aumente o som original do motor de sua moto, mesmo que ele ajude a chamar a atenção para sua passagem e isso gere alguma segurança, é irritante e faz mal aos ouvidos. Sem falar que você nem vai conseguir ouvir música no mp3.

13 - Falando em mp3, não se isole do mundo ao redor com música altíssima. Deixe sempre num volume que dê para ouvir todos os sons à volta.

14 - Penúltima dica: não fique só com essas dicas, procure outras mais!

15- E pra fechar, sempre que puder: PEGUE A ESTRADA! Depois disso, o trânsito da cidade lhe parecerá tão tranqüilo que você passeará por ele. A estrada é o habitat natural do motociclista, é onde ele oxigena o sangue, fugindo do ar rarefeito da cidade e onde ele enche os pulmões de ar puro e a alma de paisagens. Seja livre e bons caminhos!

segunda-feira, 5 de julho de 2010

A arte de andar de moto em Fortaleza 1


Vamos falar francamente: andar de moto em cidade grande é preciso mais do que técnica de pilotagem, é preciso talento.

Agora, andar de moto em Fortaleza, capital do Ceará, é necessário mais do que isso, é preciso ser abençoado!

Para uma motocicleta cair, basta ela parar. Se não apoiar o pé no chão ela vira. Simples assim. Mas andando, a coisa é diferente!

Essa maravilha da invenção humana chamada “motor” torna uma máquina de duas rodas tão estável quanto se fosse um quadriciclo. A estabilidade da minha motocicleta cross é fantástica. Seja em qualquer terreno ela segura bem. Até nos “sabonetes” das areias da praia ela passa com autoridade.

Nas ruas de Fortaleza, no entanto, existem dois perigos sempre à espreita. O primeiro deles, mas nem tão ameaçador, embora não se deva ignorá-lo, são os coitados dos motoqueiros entregadores de pizza.

Digo “coitados” porque aquilo não é andar de moto, aquilo é uma corrida desesperada pela sobrevivência, é o operário da motocicleta, o pião de duas rodas, cuja função diária e estressante lhe rouba o prazer da boa cavalgada no cavalo de aço.

Esses caras nem se lembram mais se andar de moto dá prazer. Ainda trazem no peito aquela paixão inicial – essa é difícil sair - , mas o pangaré de ferro que conduzem não é o melhor de seus pares. Cilindrada baixa, amortecedores a desejar e sem estilo fazem dessas motos meras sombras no asfalto, embora muito úteis. Só se divertem de fato no domingo ao ir a praia com a mulher na garupa e o filho pequeno no meio.

Esses motoqueiros são pressionados a entregas cada vez mais rápidas. Algumas pizzarias atrelam a comissão desses profissionais à quantidade de entregas. Dito isso, dá pra imaginar porque esses motoqueiros voam feito loucos pelas ruas. Sobem calçadas sem cerimônia, ultrapassam pela direita tirando fina, passam o sinal vermelho em qualquer horário, aceleram forte nos corredores, se arriscam em manobras irrefletidas e entram na contra-mão quantas vezes for necessário.

Sempre que os vejo, mantenho distância. Paro até longe deles. Já levei grandes sustos com seu jeito irresponsável de pilotar. Sinceramente, prefiro andar perto dos carros. Paradoxalmente, os motoristas tem mais cuidado com os motoqueiros do que estes próprios com seus colegas!

A amizade entre motoqueiros é um mito. Enquanto a moto está em movimento parecem mais adversários do que parceiros. Essa identificação só aparece mesmo quando acontece um acidente. Basta um moto esta caída no chão que, sem aviso prévio, vários motoqueiros param e ficam ali ao lado querendo saber o que houve, como uma espécie de pressão ao motorista. Nisso, todos somos solidários: bateu num motoqueiro, bateu em todos.

Mas por que tem acontecido tantos acidentes de moto? De quem é a culpa?

A arte de andar de moto em Fortaleza 2


A minha paixão por moto é um fenômeno tardio. Prestes a completar 40 anos, vi algumas motos Dafras num site e achei facílimo adquiri-las. Então, de uma hora para outra, fui dominado por uma paixão imensa por motocicletas!

A resposta que dou para isso, já que nunca fui apaixonado por motos, é esta: já havia tido dois carros usados que serviram muito, mas me deram muito trabalho também, então prometi a mim mesmo nunca mais comprar um carro velho; não tenho vaga de carro no meu prédio, então não tinha onde estacionar qualquer um que comprasse. E ainda tinha os 40 anos, acho que isso pesou: fazer algo novo, já que estava ficando mais velho.

Em suma, era a crise dos 40, provavelmente, o que me levou a comprar uma moto.
Mas isso estou pensando agora, porque no momento eu não pensava direito, era pura emoção. Fui invadido por uma paixão imensa por motocicletas. Em apenas uma semana, me matriculei numa autoescola e comecei as aulas.

Acordava todos os dias às cinco da manhã. Caminhava até a autoescola, subia na garupa (um horror!) do instrutor e íamos para as dunas da Praia do Futuro. Lá dávamos início às aulas. Achei tão difícil que no terceiro dia perguntei a ele se eu pilotaria uma moto com a mesma facilidade com que dirigia um carro. Ele disse que
sim. Eu não acreditei. Mas continuei as aulas.

Com menos de dois meses eu estava no DETRAN para fazer o exame de rua. Lá, fiz um pedido a Deus. Se fosse para sofrer qualquer acidente de moto algum dia, então eu preferia não passar no exame, e se não passasse desistiria de tudo aquilo. Eu falava sério. Senti que Deus me ouviu. Passei no exame. Tranquilamente. Pela fé, cri que ele me atendeu, como se me dissesse: "Vai nessa, eu Sou contigo!"

Saí de lá “blindado” pelo Céu. E piloto ainda hoje assim, confiante e sem medo de nada.

Porém, no dia 24 de dezembro de 2008, saí da Unimaq com minha Bros 150cc, em plena véspera de Natal, na Avenida Pontes Vieira, movimentadíssima, onze da manhã, sem nunca ter andado na rua nem sequer passado a segunda marcha!

As aulas de condução de motos no Brasil são um perigo! Os instrutores não nos ensinam a andar na rua nem nos dão dica alguma disso. Pelo menos, o meu não deu. Somos treinados a seguir os passos básicos de subir e sair numa moto, nos desviar de cones, fazer o 8 e outras manobras, como miquinhos amestrados. Só.

Tudo que aprendi sobre como dirigir uma moto no trânsito e nas estradas eu devo a mim mesmo. Li tudo que pude a respeito. Quem eu conhecia que andava de moto pedia conselhos e dicas, comparando sempre com o que dizia os sites especializados. Quando pisei na pista do exame naquela manhã, eu tinha mais informação sobre o assunto que a maioria dos candidatos ali.

Mesmo assim, pegar a Pontes Vieira naquele Natal foi um desafio imenso. Eu estava com muito medo, me tremia inteiro, as mãos suavam e, finalmente, passei a segunda marcha, e a terceira e aí vi realmente o que era andar de moto! Uma maravilha! Mas também um perigo para quem não estava plenamente habilitado, mesmo com a carteira de habilitação no bolso!

Daí pra frente, andei todo dia para perder o medo e ele sumiu! Mas vale aqui uma informação sem meias palavras: autoescolas no Brasil não ensinam ninguém a andar no trânsito!

A maioria dos acidentes que acontecem com motos em nossas ruas se dá pela ineficiência e imprudência dos motoqueiros, mas tem em sua raiz o péssimo ensino recebido. O exame de motos em Portugal força o aluno a sair na rua e o instrutor o acompanha num carro falando com ele ao rádio, orientando o que ele deve ou não deve fazer.

Esse sistema de autoescola brasileiro tem de acabar logo. Antes que mais motoqueiros morram por aí. Ele não serve. O motoqueiro é preparado para tirar a carteira, não para enfrentar a rua.

Agora, e os motoristas? Eles respeitam as motos?

A arte de andar de moto em Fortaleza 3


Vamos derrubar um mito agora: carros não são inimigos de motos! Salvo uma minoria mal intencionada, motoristas respeitam as motos, não querem se envolver em acidentes, muito menos com motoqueiros. É uma encrenca que nenhum deles quer entrar. Como disse anteriormente, a maioria dos acidentes é provocada pelos próprios motoqueiros.

Dirijo carros há vinte anos e moto há um ano e meio e só me envolvi em acidente de trânsito uma única vez. De carro. E, ironia das ironias: atropelei uma moto! Adivinha de quem foi a culpa?

Uma motoqueira levando um garupa pilotava distraída ouvindo o amigo na garupa dar conselhos sobre o término do namoro dela. Deu mais atenção aos conselhos do que a placa vermelha de PARE diante dela, e passou a preferencial. Eu vinha a meros 40 quilômetros e, quando a vi, ela estava na minha frente. Pisei no freio, mas não teve jeito. A batida foi tão forte que eles foram lançados longe. Ela voou alto e caiu no chão, quebrando a clavícula. O garupa caiu perto de uma churrasqueira dum bar de esquina. A batida foi em cima da perna dele. A moto quase partiu ao meio.

Parei o carro e saí correndo para socorrê-la. Quando olhei pro lado, vi o garupa segurando a perna com o tornozelo partido e o pé pendurado. Do meu Voyage, somente a tela e um farol quebrados.

Chamei o SAMU e o dono do bar com alguns frequentadores me cercaram: “A gente viu tudo”, disse ele, “ela ultrapassou a preferencial, se precisar de testemunhas conte com a gente”. Agradeci e continuei acompanhando o drama daqueles dois infelizes.

Naquela noite mal consegui dormir. De manhã, ao sair para o trabalho, dei uma olhadela no carro e preferi ir de ônibus. Me senti inseguro em dirigir naquele dia. Só vim pegar de novo no volante no dia seguinte. Naquela semana liguei para o hospital para saber como eles estavam indo. A moça se recuperava bem, mas o amigo já tinha passado por duas cirurgias.

Andar de moto é andar com quatro olhos, é estar atento. Nada de andar com o pensamento nas nuvens cruzando ruas nem olhar para a garota bonita que passa na calçada. Nem ficar batendo papo com o garupa!

Mas se perigos assim já fossem motivos suficientes para ficarmos atentos, existe um dado a mais para manter o alerta em andar de moto em Fortaleza. Tudo bem, os motoristas não querem se envolver em acidentes, porém, os motoristas de Fortaleza sofrem de uma síndrome terrível e imperdoável. As ruas da cidade estão repletas de abílios-diniz-antes-do-sequestro!

Para quem não se lembra, Abílio Diniz é o dono do Pão de Açúcar que foi sequestrado em 1989. Muito tempo depois, ele escreveu uma biografia contando que antes do sequestro ele era tão arrogante, mas tão arrogante que nunca dava seta para dobrar quando dirigia seu carro... Porque ele dizia que não tinha que dar satisfação da vida dele a ninguém! Sim, acredite! Hoje Diniz é um homem mudado e cheio de valores que o sofrimento lhe granjeou.

Infelizmente, porém, vários abílios-diniz-antes-do-sequestro dominam as ruas da capital cearense. Seja homem ou mulher, ver uma seta para dobrar piscando na lanterna de um carro é um luxo! Tudo motorista dedo duro! Que custa dá seta para dobrar?! Um mau hábito que pode causar muitos acidentes, e se tratando de uma moto atrás, um perigo duplo! Esses motoristas simplesmente não ligam o pisca-pisca, tem preguiça, é muito esforço. Curiosamente, a maioria deles dirige carros caros. Arrogância? Prepotência? Distração? Por que não tudo isso junto? Não sei quanto a outras capitais, mas em Fortaleza é assim.

Não, não esperem que eles deem seta para quando forem sair do estacionamento ao lado da calçada, aí é pedir demais. Sem falar nos celulares! Não estão nem aí! Dirigem lentamente e às vezes em zig-zag no meio da rua para atender a um assunto importante. É, não dá para deixar de atender, que se dane o motoqueiro que vem ao lado!

Não queria, claro, que ninguém fosse sequestrado para aprender a ser humilde, bastaria apenas olhar para o outro com respeito e dirigir com segurança. Quem dera tivesse em nossas ruas maduros abílios diniz. Pois este, hoje, certamente sinaliza tudo que é preciso ao dirigir um automóvel.

Diante dessa fauna urbana, andar de moto em Fortaleza é realmente uma arte.

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Seleção do Dunga: Crônica de uma morte anunciada


Enfim, acabou. Acabaram-se as festas, as brincadeiras, as reuniões com os amigos, as folgas no trabalho. A Seleção? Bem, esta não merece choro nem vela, nem uma fita amarela gravada com o nome dela, como cantou Noel Rosa.

Brasil de Dunga x Holanda. Um a zero no primeiro tempo, jogo na mão. Jogou bem. No segundo levou um gol besta e se desestabilizou emocionalmente. Estranho, tanto jogador experiente em campo, aliás, esse foi um dos motivos de Dunga não levar jogadores sem experiência na Seleção, vide Neymar e Ganso, agiram como amadores.

O Brasil perdeu o Mundial de 2010. Ainda bem, pelo menos esse estilo de jogo não será uma determinante para o nosso futebol, que é de natureza aguerrida e talentosa, ao contrário dessa equipe.

Mas a grande ironia de tudo é esta: no dia em que o Brasil joga bem como em nenhum outro jogo da Copa, ele perde! Todos os outros que jogou sem encanto e mal mesmo, ganhou. Será que o Dunga está certo: é melhor jogar feio e ganhar do que jogar bonito e perder? Espero que não!!

Agora, é esperar para a Copa do Brasil ser um triunfo em todos os sentidos, fora e dentro de campo.

Vamos, lá, gente. Sem choro, essa Seleção do Dunga não merece nenhuma lágrima de nossos olhos. Somente às folgas do trabalho, a reunião com os amigos e as festas.

Mas jogando bem ou jogando mal, a culpa mesmo foi do Mick Jagger. Aquele pé frio!